ENVELHECER COM QUALIDADE

As reformas e pensões dos nossos cidadãos Maiores são um problema grave e social que atira, literalmente, as pessoas no fim de carreiras contributivas ou, apenas, com idade mais avançada para o fim da linha de uma vida pouco aconchegante.

Falar de pais, mães, avós é lembrar o colo que nos deram, o aconchego, a educação, o sustento. Quantas vezes, não retiraram de si para nos dar. Do mesmo modo, retiraram, do seu físico, trabalho a favor do país e da sociedade, por norma com salários muito distantes do esforço feito.

Não lhes retribuirmos agora com o nosso aconchego e com um final de vida confortável é como cuspir na sopa que se come.

O Estado não pode tratar desta forma os seus cidadãos mais velhos. O estado deve ter em linha de conta o contributo que deram ao País e deve, sobretudo, ter condições para obviar à situação em que se encontram os nossos anciãos.

O envelhecimento da população nacional e mundial resulta de más políticas dos governos e da falta de incentivos à natalidade. Assim, segundo a OMS, 1 em cada 6 pessoas tem acima dos 60 anos. O facto está consumado e a única maneira de o resolver é apoiar a natalidade. Dar condições aos mais jovens para que possam ser pais, possam criar e educar os seus filhos condignamente.

Mas o que importa agora é tratar dos mais velhos, dos que tiveram muitos filhos, os criaram e que se veem abandonados pelo estado e, não raro, pelas próprias famílias.

O isolamento social, e a solidão daí advinda, não são bons nem para os idosos nem para a sociedade: são prejuízo para a sua saúde física e mental e, logo, para a qualidade de vida.

Ao serem abandonados, acabam por sobrecarregar os serviços de saúde e acarretam pesados encargos financeiros aos estados, devidos a doenças como as cardiovasculares, derrames, a decadência cognitiva, a demência, a depressão, a ansiedade, as ideias suicidas e o suicídio consumado.

Ver um idoso ao frio, à fome, com um olhar vazio [cheio de memórias de dar], com falta de acompanhamento, com falta de uma palavra de amor, com a ausência desavergonhada de todos e do estado, é tão triste para um país como olhar para uma mãe ou um pai que não tem pão para alimentar os filhos.

Somos maus. Somos maus filhos. Somos maus netos. Somos um mau país. Somos péssimos governantes, enquanto houver um idoso abandonado ao seu fim solitário.

 Urge criar condições para que esses cidadãos tenham uma vida social, criando estratégias dirigidas a “indivíduos, realizados pessoalmente ou digitalmente, como treinamento de habilidades sociais, apoio de pares e grupos de atividades sociais, serviços de “amizade” e terapia cognitivo-comportamental; comunidades, como a melhoria do transporte, o ambiente construído e a inclusão digital; sociedade em geral, como aumentar a coesão social e reduzir a marginalização.” OMS.

Vamos tratar de quem de nós tratou. Vamos deixar envelhecer com qualidade. Tratar hoje dos nossos pais é tratar de nós amanhã.




ESTAMOS VIVOS E ATENTOS

Há anos que os sucessivos governos vêm a intensificar reformas e medidas antissociais:

Todas essas reformas e medidas se baseiam numa agenda desumana e materialista, esquecida de quem lutou e trabalhou para o país.

São necessárias medidas de fundo e estruturantes que garantam reformas e pensões equiparadas ao salário mínimo nacional.

Essa agenda antissocial terá influência direta nas opções dos reformados e pensionistas: compram medicamentos ou fazem três refeições dignas por dia? Pagam fiado na farmácia ou na mercearia do bairro?

É assim que se pretende tratar quem se sacrificou por nós? É este o respeito que temos pelos nossos pais e avós? Que valores queremos transmitir?

Criticamos – e bem - os filhos que abandonam os pais e esquecemos os vários governos, que os têm abandonado desde sempre?

É tempo de olhar com atenção para os ex-combatentes, para os traumas que vivem ainda hoje. Essas pessoas não pediram para ir para a guerra. Foram obrigadas a ir, sob a Bandeira do País. Não é com um passe para os transportes públicos que se resolvem os problemas dos ex-combatentes. Eles precisam de quem se interesse, de quem estude, de quem os consulte e de quem os escute, de quem os represente.

Também os nossos jovens precisam de condições de trabalho para poderem ser independentes e deixar a casa dos pais e avós, para serem capazes de construir o seu próprio caminho, sem se sentirem um fardo para a família.

Os fundos europeus têm de ser aplicados com critério e consciência. Fazer grandes infraestruturas e ter pensões de miséria e salários medíocres é como fazer o luxo em cima da miséria.

Para isso estamos aqui: para lutar pelos mais experientes e pelos que começam agora a caminhada da grande história da vida. Somos todos os que já partiram e seremos continuidade nos que virão.

Por todos. Pelo PURP. Por Portugal!

Viva o PURP!

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