COP26: A Natureza e a “Cantiga do Bandido”?

COP26: A Natureza e a “Cantiga do Bandido”?

 

A COP26, conferência organizada pela ONU e que terminou em Glasgow, definiu a questão da política climática global. De ora avante, os países ricos deverão adaptar-se e contribuir para a chamada “equidade climática”. Deste modo, os países mais desenvolvidos – mais ricos – devem financiar de forma consistente os mais pobres do globo, visando minorar o impacto das intempéries e secas crescentes, advindas das alterações climáticas.

 Ao longo dos tempos, muitas promessas foram feitas no sentido da entreajuda. No entanto, essas verbas nunca foram completamente cumpridas [as falhas nas remessas claudicaram em cerca de 20%, até 2020. Note-se que se falava de valores na ordem dos 100 biliões de dólares].

 Considera-se que o fracasso dessa ajuda comprometerá, a médio prazo, não só os países mais pobres, mas também os que apresentam alguma vulnerabilidade. Os impactos climáticos imprevisíveis são, evidentemente, os que devem prender a nossa atenção. A Natureza está zangada e pode, inesperadamente, mostrar a sua ira de forma irreversível. Manter o aquecimento abaixo de 1,5 ºC é o objetivo, para que não se hipoteque a vida na Terra.

 Os fundos de solidariedade não serão mais do que uma compensação dos países mais poluentes aos que sofrem com as consequências dessa poluição, a emissão de gases de efeito de estufa.

 Em 2015, em Paris, os mais ricos recusaram a sua cota-parte de responsabilidade. Todavia, seis anos volvidos, COP 26, ninguém pode negar essa responsabilidade.

 Muito embora seja uma tarefa árdua, sobretudo para os países menos influentes economicamente, o esforço tem de ser feito em conjunto através dos PAC, Planos de Ação Climática de cada país. Porém, sabemos que esses PAC são analisados por cada governo sob o ponto de vista de ganhos e de perdas para os respetivos OE. Assim, entre o deve e o haver, o que será mais vantajoso? Tratar dos prejuízos causados pelas sucessivas secas; aumento do nível das águas do mar; degelo; tornados e ciclones ou tentar, o mais rapidamente possível, prevenir, reduzindo as emissões de poluentes, por forma a cumprir a meta dos 1,5ºC?

 Esperemos que Glasgow, com a posição da Índia e de outros resistentes, não venha a representar o princípio de um fim anunciado.

 Tenhamos fé no sucesso da “Comissão de Diálogos”, ora saída da cimeira de Glasgow. Esperemos que “a cantiga do bandido” não seja uma serenata - e impostora por todos permitida - à Mãe Natureza. Por nós e pelos que virão.

  

Ana Pinheiro

Porta Voz do PURP