Porque o que interessa, para governar, não é apenas o querer...

Porque o que interessa, para governar, não é apenas o querer... há que ter memória... hoje , partilho uma que deve ser grata ao fundadores deste Partido: As cartas que escrevi, com letra da primária, e – por certo – com erros…
Naquele tempo, muitas mães com filhos na guerra, não sabiam ler nem escrever.
Miúda de oito ou nove anos, era muitas vezes solicitada para ler as cartas que vinham de além-mar e para lhes dar a resposta, em tom de oralidade, das mães – muitas vestidas de preto, por outros filhos por lá perdidos….
Portugal, 1970
Meu querido filho, nós por cá todos bem. Rezo a Nossa Senhora, todos os dias, para que estejas bem e que nos chegues de saúde.
Olha, meu rico filho, o Manel já anda na lavoura por conta dos morgados da casa grande e a tua irmã, Lucinda, está prometida. Ela diz que não casa sem que regresses, que te quer como padrinho…
Olha, filho, continuas a escrever à tua madrinha de guerra? Diz, por aqui o povo, que lhe pediste namoro. Se for da tua vontade, é do nosso agrado. Parece ser moça séria e de gente trabalhadeira. Vai à missa e ninguém a vê na rua sem a companhia dos irmãos mais novos.
Meu querido filho, o pai continua à jorna para o pão. Sabes que a vida não mudou, desde que o barco te levou. Chegou ontem o Armando, da tia Luísa da Bica. Diz que a guerra onde esteve é mais dura do que onde estás. Eu rezo para que assim seja. Já Deus me levou o teu irmão.
Faltam três meses para que te possa abraçar. Que Deus te proteja e Nossa Senhora com ele,
Saudades desta tua mãe que te beija e do teu pai que te abraça.
Adozinda